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Resentir

Revive-se aquilo que deixamos que nosso coração sinta.

Parece que não é tão simples. Mas assim o é.

Se sente com o coração como costumeiramente falamos.

E parece que o ‘sentir novamente’ pode ter diferentes sabores. Tu sabes como foi antes.

Será igual agora? Doerá mais? Menos? O sabor será outro pois já não és mais o mesmo?

Resentir permite que reinterpretes as nuances do evento que te levou a ‘sentir’.

Outros eventos podem te fazem sentir mais profundamente. E, de certo modo, resignificar toda uma história.

Ao longo desta semana

Pude sentir novamente muito dos meus medos: a Andi fez um novo procedimento cirúrgico e muitos daqueles demônios que me atormentaram no passado vieram tomar um café comigo. Os aceito de coração aberto. Eles me permitem subir ainda mais um degrau na minha caminhada.

Muitas vezes me empurram pra cima. Outras pra baixo. Mas minha força é maior que eles. Que assim seja, sempre.

Tive inúmeras demonstrações de carinho, respeito e honra dos próximos: em mensagens, pensamentos e orações. Estes que o fizeram sabem o quanto prezo e respeito a dedicação de cada um deles.

Por fim entendi que eu sou o Senhor da minha própria terra. Tenho por certo que aquilo que resinto é porque meu dou o direito, e, até mesmo, o privilégio de saber reinterpretá-las.

Como as ondas, que nascem, sobem e arrebentam num emaranhado infinito e se dispersam também todos os sentimentos nascem, ‘fervem’ e deixam de existir. De modo que apenas a obediência aos sentimos nos faz sofrer de modo infinito. Se sabemos como respeitá-los e deixá-los cumprir sua existência não passam de sua natureza: temporários.

O elo que criamos entre o nosso sentimento e o objeto que atuam é ilusório. Temos a condição de tratá-los deste modo: não como nossos senhores, mas, sim, como etapas de um jogo. O jogo do autoconhecimento.

Termino como de hábito de minhas leituras:

No lugar de fugir do sofrimento, você pode senti-lo como uma energia. Do mesmo modo, tudo o que entra em seu mundo pode ser percebido como uma qualidade de energia em vez de um objeto de que se quer apropriar, rejeitar ou ignorar.

Não há nem bem nem mal, nem belo nem feio. Cada ser, cada acontecimento interno ou externo é um comprimento de onda, uma freqüência, uma cor do espectro.

E com uma nova leitura que entendo como importante para o momento:

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.
Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Eclesiastes 3:1-22

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As fotos me ensinam

Em 2016 eu escrevi “O que uma foto me ensinou“.

Em 2019 a Andi escreveu:

Nunca imaginei que ficaria tão feliz em fazer um rabo de cavalo. 
Quanta coisa temos e não valorizamos porque não estamos atentos? 
Exercitar a gratidão para mim é isso: valorizar as situações, coisas, pessoas que se não prestarmos atenção não percebemos…
Hoje quando fui amarrar o cabelo por causa do calor, senti uma gratidão tão intensa e agora ao escrever choro de emoção, de felicidade … choro porque é uma coisa tão simples mas que traz uma felicidade imensa… 
eu poderia estar reclamando do calor, ou de que o cabelo demora pra crescer, ou de que a casa voltou a ter cabelos pelo chão mas eu prefiro sentir na plenitude e agradecer infinitamente por tudo que acontece na vida, principalmente os desafios maiores, e como isso me faz uma pessoa cada vez melhor.
Na época que fiquei careca eu até me acostumei e fiquei super tranquila com isso mas poder amarrar o cabelo novamente … ah… isso … só quem passa… vai entender profundamente o que estou falando… isso é maravilhoso!
Felicidade para mim é isso: é estar atenta ao agora, agradecendo as “pequenas” coisas que nos cercam!

Andiara Neuwiem

O que eu aprendo?

  • Que a fotografia sempre esteve em minha vida, desde o nascimento com o exemplo da minha família, em especial do meu Pai.
  • Que a ternura que vejo nos outros, em especial na minha esposa, são reflexo do meu coração.
  • Que a simplicidade de ser aquilo que meu coração emana é o que devo buscar.
  • Que estar atento ao momento é o melhor que podemos fazer a cada segundo.É simples assim.
  • Que estar ao lado daqueles que realmente te fazem melhor é a melhor busca que podemos fazer neste plano.

Do mestre

Noventa e cinco por cento de nossos sofrimentos são imaginários.
O pensamento nos faz sofrer. Envolve-nos na cobiça, na agressão, no medo, na esperança, na ilusão… Se nos contentássemos em sentir, evitaríamos naturalmente o sofrimento.
O sofrimento é um pensamento que aspira ao prazer ou à fuga da dor, mas não há nada a fazer senão sentir, aqui e agora.
O mal é o que nos faz sofrer e nos impede de sentir. É uma única coisa: o pensamento.
Libertando-nos dos pensamentos, liberamo-nos do medo.

Pierry Lévy
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A chama repentina

O Outubro é maravilhoso sob diversos aspectos: traz para os habitantes de minha cidade uma sensação de alegria vinda de diversas catástrofes.

Seja porque sofremos com as cheias, ou celebramos as dores do passado com uma festa que é digna de gratidão, trata-se de um mês de intensidade de sentimentos.

Também é mês de celebrar a atenção que as mulheres devem para com seu corpo. E, se estás lendo isso aqui, sabes o motivo de eu falar a respeito.

Taisen Deshimaru proferiu:

Era um dia de inverno num templo nas montanhas quando um velho mestre zen se dirigiu a seu discípulo: ‘Estou com muito frio. Reanime o fogo, por favor’.

O discípulo observou: ‘O fogo está morto, não sobrou uma brasa sequer. Só há cinzas na lareira’.

O mestre se aproximou, removeu as cinzas com os dedos e, lá no fundo, encontrou uma pequena brasa vermelha.

‘Olhe só, ainda tem um restinho de luz.’

Assoprou-a e a chama reavivou com toda força. Então, o discípulo recebeu o satori.

Como você encara os desafios que estás submetido nesta existência?

Com pesar, e, sem enxergar o óbvio que lhe é demonstrado pelo Arquiteto de todas as coisas?

Entenda: o que é, apenas é. Não é nem bom nem mau. Se na tua concepção não agradou, não atingiu o objetivo que tu desejavas. Apenas isso.

Livre-se de teus desejos e anseios e o mundo abrir-se-á para ti.

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A luz da sabedoria ilumina em todas as direções

Sobre correr já falei aqui no Blog da Andi: tem um poder espetacular de literalmente ‘te fazer mover’.

A questão que discuto hoje tem relação com a capacidade que temos de aprender com a atividade física de se doar: desde que passamos pelo tratamento do câncer da Andi iniciamos uma jornada de nos aprofundarmos nas necessidades de mantermos o físico, mental e espiritual em linha com nosso aprendizado. E é sobre isso que a corrida de hoje tem relação.

Antes de correr

A Andi vinha se preparando para o dia de hoje há muitos meses: desde que terminou seu tratamento ela se dispôs a mudar o estilo de vida em busca de um equilíbrio que até então não tinha: espiritual, físico e mental.

Isso incluiu as rotinas de exercícios físicos, e eu REALMENTE sei o quanto isso foi uma batalha interna para ela – Digo para ela porque sempre gostei de me exercitar mas a disciplina que ela empregou nesse aspecto é de sincero e genuíno sentimento de admiração: as rotinas semanais são outras desde então. 2, 3 ou mais vezes por semana os dias iniciam com atividade física.

Meu plano na esfera física era atingível: eu sabia que poderíamos correr os primeiros 5 KM num ritmo de 6 min/km – Talvez menos. A partir dali teríamos de adotar um ritmo mais lento, algo próximo a 7 min/km. Foi assim que aconteceu. Na tampa.

Na corrida

Correr 10 km de forma contínua exige um preparo que nem todos nós temos. Ir além disso é motivo de extrema admiração para mim. Sei que iremos mas isso exigirá ainda maior preparação.

Até os 3 km tivemos a companhia de diversas pessoas, inclusive da família, e isso nos fez perceber o trajeto mais leve. Dali pra frente tivemos nossa própria batalha interna.

Da minha forma pus meu melhor para trabalhar: queria que ela fizesse o melhor tempo dela. Não tinha preocupação comigo. Minhas batalhas são internas e minhas corridas são uma luta dura e intensa contra mim mesmo e sendo honesto não preciso de corridas para saber lutar com essas batalhas. Minha presença tinha um propósito: auxiliar a Andi a concluir no melhor que pudéssemos fazer juntos.

Aos poucos buscava ela para uma rápida conversa:

“Tudo bem?”

“Mantemos o ritmo?”

Concluindo a corrida

10 km não representa nem 1/4 de uma maratona. Mas cada km que corremos é uma batalha interna que se desfaz e finaliza ao cruzarmos a linha de chegada.

Quando olhei pra ela, após cruzar a linha, sabia que aquilo era a uma grande batalha que ela venceu, e ela simplesmente precisava de um abraço para celebrar a conquista.

Ela chorou intensa e profundamente pois sabia que vencer a si mesmo era a principal batalha dela. Igualmente a tantas outras vezes que ela já havia feito.

Eu olhava aquele corpo frágil e exausto e pensava: caramba como ela conseguiu mais essa? Por certo já passamos por mais dolorosas, mas veja, nessa jornada havia um componente de voluntariedade – Ela simplesmente queria aquilo ali.

Entendes quão sortudo posso ser por isso?

Termino como de costume:

Conhecer a si mesmo é condição indispensável para conhecer e compreender os outros. Mas devemos nos conhecer em todo o leque de nossas tendências e inclinações, inclusive o medo, a inveja, o ódio, a covardia, a culpa, etc. Se não estamos em contato com esses nossos aspectos (mas também com os desejos, os entusiasmos e as
possibilidades maravilhosas que deixamos morrer), não podemos reconhecê-los nem compreendê-los nos outros, pois assim correríamos o risco de ver revelado o que queremos manter oculto, anestesiado, fora de nossa experiência direta.


Só podemos “ver” a maldade do outro se ela ecoa na nossa.


Só assim podemos reconhecêla. Mas se adormecemos algumas partes de nosso ser, elas deixam de ecoar no mundo “externo” e nosso conhecimento do mundo como um todo se empobrece na mesma medida. Quanto menos estamos em contato com nós mesmos, mais estreito fica o mundo em que vivemos e mais nos inquietam os acontecimentos e os seres humanos: ameaçam nos despertar, indicam nossas partes mortas.E não há nada que detestemos mais do que isso.


Quanto mais lúcidos somos de nós mesmos, mais aguda fica a nossa inteligência do mundo.

Pierry Lévy
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O Autor de seu próprio caminho

Você aceita ser seu próprio autor?

Digo ser o principal condutor de seus próprios passos?

A pergunta parece simples, mas embute uma pegadinha que não estamos habituados a concorrer: você se vê olhando para terceiros para definir seu destino? Não? Nem Estado, Família, Amigos, Chefe, nem terceiros de uma forma em geral?

Avalie com sinceridade se não há em teu ser algo que te move para blasfemar contra terceiros, contra aqueles que justamente aí estão para tornar teu caminho mais árduo e, desse modo, mais frutífero nos teus engrandecimentos.

A Liberdade

Os testes que aceitas (ainda que inconscientemente) fazer são justamente aqueles que te aproximam do caminho da liberdade. Estar ciente, a todo momento que essa capacidade de aceitar os desafios – ou mesmo fugir deles – é o que te coloca no caminho da liberdade.

O oposto disso, se resignar, se lamentar por essa ou aquela situação, em contrapartida, te distância de ti mesmo e teu propósito.

Te pergunto: Que queres aqui?

Ser bom pai ou mãe? Ser um excelente profissional? Fazer a diferença no mundo?

Sim?

Então aceite tudo aquilo que aqui está e mude aquilo que acreditas que seja possível. A começar por ti mesmo.

Um depoimento

Há poucos anos tinha, em meu limite, míseros 113 Kg. Do alto de meus 1,80 m era peso a beça para carregar – assim como muito do vinha carregando até então.

Ao aceitar tudo o que passei desde então optei por fazer nada mais do que aceitar minhas limitações e batalhas.

Ganhei. Ganhei de mim mesmo pois nunca achei que venceria as batalhas que venci.

Das superações que tive o privilégio de vencer, acompanhar a Andi nas batalhas dela foram as que mais me fizeram crescer.

Muitas vezes as batalhas que precisas vencer não são as tuas. São as daqueles que acompanhas. Noutras, por certo, somente as tuas.

Nadar e Correr

Tenho comigo que o Futebol, Basquete e, de forma gral, os esportes coletivos são os que mais me atraiam. Ainda os adoro como se fossem os meus únicos amores.

Mas ao aceitar minhas limitações (hérnias na coluna e o tempo insuficiente para encaixar com os coletivos) me vi de frente com a possibilidade de me encontrar.

Ao decidir NADAR há 4 anos, por conta também da coluna, aprendi o valor da água e do respirar. Há quanto prazer encontro ao estar comigo mesmo na água e saber que toda meta, desafio e dificuldade depende de mim, e APENAS DE MIM para serem vencidos.

Em 2017 resolvi correr.

1 metro de cada vez. Todos os dias. Com chuva, sol, calor ou frio.

Aquilo me libertou de mim mesmo. Hoje, embora pouco para meus anseios, 10 km são minha glória. Minutos, dores e prazeres que passo comigo mesmo.

Nisso, crescemos juntos. Nesse fim de semana a Andi fará sua primeira competição de corrida, e o prazer de poder acompanhá-la não tem preço. Tem um único valor: glória aos momentos de dificuldades que passamos juntos.

Tu entendes a satisfação de acompanhar alguém em sua própria glória? Sim? Sinta-se abençoado por isso!

O que você escolhe? Ser vítima “disso tudo”? Ou ser o protagonista de uma história que lhe agradaria em ouvir?

De ti para ti mesmo

Cada dor que sentes, cada situação que pensas ‘não queria estar assim, ou aqui’ é uma mensagem de ti mesmo para teu crescimento. Teu crescimento depende dessa interpretação para crescer. Nada vem do outro. Pare de ouvir a TV, o rádio, os outros e te concentre em ti mesmo. Tuas dores são teu plano de crescimento. Não dependem de ninguém além de ti.

E se você parasse para se ouvir? E se entendesse como lhe expresso essas singelas palavras? Seria diferente?

E se fores a Perfeição?

Cada dia que não percebes a perfeição que há em ti, e naqueles que te cercam tornam-se a maior dor que podes sentir pois perde-se na incapacidade de perceber o óbvio: és a perfeição da tua própria existência.

Esse sofrimento vem da incapacidade de perceber que tens tudo. És tudo o que precisas.

Aqueles que te rodeiam também o são.

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O Infinito entre os segundos: 3 palavras

Quanto tempo dura o infinito?

Por definição: não dura, é eterno. Atemporal. Sem início e sem fim.

Mas e os infinitos entre os momentos? Digamos entre o segundo 00:00:01 e o 00:00:02 também ali há um infinito que não nos percebemos. Não valorizamos estes segundos. Muito menos o infinito entre eles.

Pra mim dura algumas palavras.

Algumas delas intensas e extremas. Algumas vezes nem percebemos o infinito nos espreitando e rodeando. E isso me alegra (a consciência disso).

Das mais intensas e profundas experiências que tive nessa existência (até este segundo, é claro) foi perceber que poucas palavras transformam tua vida sem sequer perceberes.

Ausência de carcinoma” me atingiram profunda e intensamente. Assim como à Andi.

No início de uma semana fomos bombardeados com a dúvida de um possível cenário que já havíamos lutado. Nos preparamos como podíamos ao que já conhecíamos:

Ela firme e forte como nunca foi até então. Uma guerreira que faz a Mulher Maravilha ser uma mera menina. Sem brincadeiras: o Superhomem teria vergonha do que vi a Andi fazer – se sentiria pequeno perto da força que emanou dela nesses dias.

Eu com meus medos e receios à flor da pele. Um verdadeiro escudeiro a espera da próxima batalha. E nada mais. Apenas pronto para o próximo passo.

Ambos com o desejo intenso e profundo de continuar com a história que criamos juntos.

Como lidar com a consciência da brevidade daquilo que mais amamos? No caso, nós mesmos. Consegues? Estás acordado para isso?

Alguns anos após o ritual que passamos de início dessa jornada intensa e anestesiante tivemos a oportunidade de reviver os segundos que antecedem a busca de diagnóstico. Parece simplório, mas lhe asseguro que não é. Conviver com a dúvida é assustador. De forma que apenas a consciência lhe permite experienciar. Estás aqui comigo?

O resultado que ressalto acima é apenas mais um passo nessa jornada que se chama Vida.

Como não ser grato pelo infinito entre os segundos que vivemos?

Daquele que me auxilia a entender melhor os momentos dessa vida:

Fazemos os outros viverem nossas próprias dores.

Os outros nos fazem experimentar sua própria desventura

Nada se propaga e se comunica tão facilmente quanto a dor.

Tanto assim que quando padecemos, sofremos da dor de todos os seres que, nesse momento, conflui para nós, tornando nosso sofrimento impessoal.

Quando em vez de propagar ou alimentar a dor, deixamo-la arder em nós, aliviamos o gênero humano com as lágrimas que derramamos.

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A Metamorfose contínua

Nosso desejo é contínuo em direção à felicidade: queremos encontrar aquilo que nos permita SER e ESTAR em comunhão com a felicidade.

Contudo, esquecemos que nós mesmos não somos os mesmos: do ponto de vista de continuidade mudamos a todo segundo – Aquele que desejou algo não é mais o mesmo após algum tempo.

Daí minha intenção de falar sobre a metamorfose: não somos os mesmos nunca. Aquele ou aquela que proferiu determinada sentença não é mais o mesmo após proferida.

Mais fácil de enxergar quando olhamos para aquilo que determinamos como sendo nosso lado obscuro e mal, tal qual Levy:

O mal jamais confessa que é o mal. Apresenta-se impassivelmente com a aparência do bem. É exatamente como um partido político totalitário: quer dominar mas só fala de “libertação”.

Mente e não pára de proclamar sua boa-fé e tratar os adversários como mentirosos. Prende-o em suas garras para destruir sua alma: primeiro, o faz cuspir naquilo que você mais gosta (a começar por você mesmo); depois, isola-o, torna-o dependente, amedronta-o, joga com todas as suas fraquezas para, por fim, fazer com que você se despreze.
Destrói tanto sua auto-estima, que você nem mais se lembra de que a liberdade existe.

Mudar não é nem uma virtude, e, muito menos, um vício (ou defeito). É uma constatação de nossa natureza.

A dúvida que me faço, todos os dias, é:

Gosto desta minha versão?

 

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A Verdade do fim de um ciclo

Sobre encerrar um ciclo

Decidimos seguir um caminho espiritualizado porque acreditamos num tipo de invulnerabilidade, daqueles que nos farão imunes às dores deste plano. Uma perda de tempo, mas, ao mesmo tempo uma benção.

Perda de tempo pois não existe nada assim aqui: somos vulneráveis aos nossos sentimentos e pensamentos.

Uma benção porque a jornada termina muito diferente do que pensávamos.

O que encontramos no fim (de um ciclo, de uma jornada, pouco importa) não é aquele parque de diversões dos desenhos do pica pau e, sim, uma nova oportunidade de recomeçarmos. Tudo que tem um início tem um fim.

Por que fazemos assim?

Porque para viver a vida de verdade precisamos estar presentes em plenitude, estarmos sensíveis à tudo o que este plano nos oferece e, desse modo, estarmos pela metade não nos permitiria isso. Sermos vulneráveis é a melhor estratégia para nos REconhecermos como humanos. Obter nossa própria compaixão.

De um Mestre:

Quanto mais abrimos o coração, mais sentimos o sofrimento (o nosso e o dos outros: só há um) e menos alimentamos os mecanismos que o sustentam.

Não olhe para o que você vê. Sinta o que a visão faz no seu coração.

Em verdade esse desejo que temos à insensibilidade (não quero que doa, não quero que magoe, não quero chorar, etc.) é o caminho mais rápido para os crimes que cometemos contra nós mesmos. A insensibilidade é o que molesta e mata toda a espécie humana. Não seja insensível nem a você, nem aos outros.

Nossa próxima etapa

Amanhã, Segunda feira, 24/07/2017, a Andi fará mais uma importante etapa no tratamento dela e gostaríamos de contar com sua prece, com seu bem querer, com suas boas vibrações e intenções.

Diz-se na tradição cristã que aqueles que têm o poder de sentir integralmente o seu sofrimento e o dos outros — de senti-lo a ponto de chorar por ele — têm o “dom das lágrimas”.

Só grandes santos e santas tiveram esse dom, tão maravilhoso quanto a graça do sorriso.

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O medo de seguir adiante: ele está ao teu lado e tens de ser ainda maior do que pensas que podes

Há um ano falei Sobre a impotência da companhia, ainda vejo esse texto como um bom texto para os acompanhantes daqueles que passam pelo que passamos.

De forma simples exprimi que a dor de acompanhar é a dor da impotência de realizar: nada do que o acompanhante faça mudará a realidade. É duro sentir e pensar assim, mas, é melhor que ilusão doutro pensamento.

Hoje

Caminhamos para mais uma etapa do tratamento: estamos chegando a ultima das etapas de procedimentos cirúrgicos – A próxima prótese será a definitiva (assim espero).

Esta nos custou muito para alcançar: desde custos emocionais a custos financeiros. Mas confesso a mim, nesse momento pouco importa. Me importa ver ela feliz, alegre, sorridente e acima de tudo vivendo uma vida que é ela quem faz, não uma enfermidade.

Conduzimos nossa vida baseados em nossas convicções, não em nossos medos. Quantos podem viver assim?

Sobre a foto deste post

Quando olho a foto deste post, inevitavelmente, lembro da pose que capturei há mais de um ano: essa foto me acompanha em todos os sonhos.

As vezes em alguns pesadelos.

Não tenho medo mas sei respeitar meus limites.

Você se conhece em todos seus limites?

Até onde podes ir?

Amanhã finalizaremos essa etapa

E estremos preparados para a próxima.

Você também estará?

Cada passo que damos juntos nos faz mais forte, mais certos que o caminho é este e que podemos contribuir com todos aqueles que estão ao nosso redor para serem cada vez melhores.

Paz, Saúde e Prosperidade é o que eu te desejo nesse exato momento.

Porque sei que é exatamente isto o que precisas.

Nem mais nem menos.

Estejas sempre abençoado com a alegria que apenas Ele pode te ofertar.

 

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Sobre libertar-se do passado

Não sei

Não sei como tu te libertarás do teu passado – Mesmo porque ele não existe mais, está apenas nas tuas lembranças, e, como bem sabes, a natureza das tuas lembranças é diferente da “realidade“.

Contudo, de algum modo, terás de largar muito do que ainda carregas para poder ter uma nova vida.
O novo vem com o desejo e a ação para a mudança.
Quais tuas ações?

Com a gente

Passamos por tudo o que passamos (sabes que muito tem aqui no blog) da melhor forma que pudemos, e acho que atingimos um bom resultado: aprendemos e crescemos todos os dias no ano de 2016. Você nos ajudou: com pensamentos e orações – Obrigado!

Contudo

Em algum momento seria preciso estarmos prontos para a próxima jornada, e, acredito que estamos. Ela pode não ser bruta, muito menos extrema, mas pode nos exigir mais do que estamos habituados a entregar e, nesse modo, outras opções de vida podem ser mais importantes: tudo tem relação com nossas prioridades.

Enquanto

Acreditares que para deixar de sofrer precisarás esconder a dor, então, de forma perversamente planejada, ela voltará ainda mais forte e potente. Saiba sentir a dor e o sofrimento para livrar-se dele. Tudo o que tu te recusas em veemência a sentir se materializa e te prende – Sem opções de fuga.

Tua morada de morte é construída a cada ação em que negas as vestimentas de teu luto.
É assim difícil de perceber?

De um dos mestres

O sofrimento, ou a emoção negativa, é um mal virtual que se realiza quando não plenamente vivido. Ele se concretiza em nós, transmite-se para os outros, encarna-se no funcionamento patológico de um casal, de uma família, de uma organização, de uma sociedade. O mal materializa uma emoção negativa não liberada. Em vez de permanecer virtual, ser reconhecida e escutada como um sinal, uma mensagem, a emoção ganha corpo e se transforma no mal do mundo.